Carcinicultura projeta crescimento de 20% – Negócios – Diário do Nordeste

Um setor que gera R$ 1 bilhão por ano e projeta crescimento de R$ 200 milhões – equivalente a 20% – em pleno momento de maior temor econômico dos últimos anos. A carcinicultura marinha no Ceará segue forte e, superando até a temida crise econômica, estabelecendo metas arrojadas e prevendo números polpudos para o fim do ano. A produção de camarão cultivado no Ceará deverá fechar 2015 com uma produção de 50 mil toneladas, o que representa 66,7 % de toda a produção brasileira, estimada em 75 mil toneladas.

O Estado do Ceará é o maior produtor nacional de camarão cultivado, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC). O presidente da ABCC, Itamar Rocha, comemorou a crescente do setor, que vai conseguindo superar os problemas econômicos do Brasil, dando fôlego aos produtores.

“Ano passado, a produção do Ceará foi de 43 mil e esse ano estamos projetando entre 50 mil e 55 mil (toneladas). Com o País em crise na economia, crescer alguma coisa já é um desafio. E temos projetos para aumentar ainda mais (a produção)”.

Consumo interno é maior

Segundo a entidade, praticamente toda a produção nacional é voltada para o mercado interno, o que deixa os produtores ainda mais animados para pensar em ampliar horizontes. Com as constantes altas no valor do dólar nas últimas semanas, o setor vê com bons olhos retomar as exportações. “Nossa exportação ainda é baixa, já estivemos melhores. O Brasil como um todo já produziu 90 mil toneladas em 2003. Chegamos em 2014 com 85 mil. Já exportamos 58 mil toneladas, mas ano passado caímos para 270 toneladas, mas por outro lado, avançamos no mercado interno. Nossa produção é hoje voltada para o mercado interno, e queremos voltar para o mercado internacional, com o dólar competitivo. Mas precisamos aumentar a produção. Não podemos tirar produto do mercado interno, que foi quem salvou o setor. Queremos manter o abastecimento e aumentar a produção. Por isso nosso esforço. Estamos com a perspectiva de conseguir investimento estrutural para voltar a exportar. Temos espaço internacional”, disse o presidente.

Mercado externo

A preocupação de Rocha reside na capacidade de produção atual do País, capaz de atender apenas o mercado interno. “A produção do mundo de camarão, no geral, é de 4,5 milhões de toneladas. Estamos produzindo 55 mil (toneladas no Ceará). Estamos muito abaixo da produção mundial, mas temos condições de sermos grandes produtores. Se formos comparar, o Ceará tem a mesma costa do Equador, e o País vizinho produziu 330 mil toneladas de camarão marinho utilizando terras improdutivas e águas salitradas, salobras ou salgadas. As exportações deles foram de 277.170 toneladas, gerando US$ 2,3 bilhões, valor esse, superior às exportações de todo o agronegócio do Nordeste. Nós temos condições, o Ceará tem muito mais recursos naturais em termos de água e solo que o Equador, e a gente acha que está no momento de atrair interesses governamentais, da iniciativa privada e da sociedade como um todo. Temos como dar uma resposta importante para fortalecimento da economia do Estado do Ceará”, destacou.

Feira Nacional

A Associação promoverá, em Fortaleza, nos dias 16 a 19 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, a XII Feira Nacional do Camarão (Fenacam). Itamar Rocha espera que o evento sirva de vitrine para atrair mais investimentos. Mais de 10 mil visitantes são aguardados para discutir assuntos de interesse da carcinicultura e da aquicultura brasileira e mundial.

Na ocasião, também serão gerados negócios e parcerias, entre aquisição de equipamentos, insumos e produtos, estimados em R$ 100 milhões. Serão 40 conferencistas de diversos países, que proferirão palestras, todas com tradução simultânea. Além disso, também haverá junto à programação oficial da Feira um Festival Gastronômico. “A Fenacam representa uma excepcional oportunidade para o intercâmbio de conhecimentos e a aproximação dos produtores aquícolas com as tecnologias e empresas, líderes desse setor, notadamente nas áreas de equipamentos, insumos voltados para a produção e a industrialização de pescado oriundo da aquicultura”, destacou o presidente da ABCC.

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