Baixo São Francisco de SE inicia produção de camarão

20/04/2015 – 16:38

Produção é desenvolvida em uma área de cinco hectares
Perímetro da Codevasf inicia projeto de produção de camarão no Baixo São Francisco sergipano(Foto: ASN)

Uma iniciativa pioneira introduziu a produção de camarão no perímetro irrigado Cotinguiba/Pindoba, no Baixo São Francisco sergipano. Desenvolvida em uma área de cinco hectares, a produção já alcança a produtividade de 1,5 mil quilos por hectare. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por meio da Unidade de Beneficiamento de Pescado de Propriá, viabiliza o processamento e a comercialização do crustáceo.

A carcinicultura foi introduzida no perímetro Cotinguiba/Pindoba pelo produtor Salustiano Marques em 2014 após estudos iniciados há aproximadamente dois anos e meio. “Primeiro tentamos fazer as adaptações necessárias, mas desde junho iniciamos a produção. Hoje, produzindo com baixa densidade e ainda sem aeração conseguimos em torno de 700 kg por viveiro de quatro mil metros quadrados, o que é muito bom. Mas o nosso objetivo é chegar a uma produtividade de 4 toneladas por hectare a cada ciclo”, declarou.

Para tornar realidade a produção de camarão de água salgada em viveiros de água doce em seu lote, o produtor precisou realizar uma série de investimentos, principalmente no que diz respeito à qualidade da água. “A carcinicultura não é uma atividade simplória. A produção de camarão requer cuidados, precisa de uma equipe técnica dando suporte. Mas até agora tivemos todo o suporte do Distrito de Irrigação e também da Codevasf”, disse Salustiano.

O superintendente regional da Codevasf em Sergipe, Said Schoucair, que visitou o lote onde é realizada a produção de camarão, afirmou que a atividade é viável do ponto de vista econômico e pode ser desenvolvida em outros lotes.

“É importante que outros produtores sigam esse exemplo, porque a produção de camarão traz um grande retorno financeiro. Vamos dar todo o suporte necessário para essa atividade e, inclusive, pretendemos iniciar pesquisas no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume para ampliar essa produção”, explicou Said.

Beneficiamento

Além da meta de executar pesquisas científicas para introduzir a carcinicultura e diversificar a produção nos perímetros irrigados do Baixo São Francisco sergipano, a Codevasf já viabiliza a comercialização do camarão. Toda a produção de Salustiano está sendo processada na Unidade de Beneficiamento de Pescados de Propriá, que desde 2012 funciona por meio de um contrato de cessão gratuita de uso da unidade, após reforma realizada pela Codevasf.

Implantada em 2005 para estruturar a cadeia produtiva de aquicultura na região do Baixo São Francisco sergipano, a Unidade de Beneficiamento de Pescados de Propriá foi fruto de um investimento de R$ 1 milhão. Atualmente, a unidade emprega cerca de 30 funcionários e possui capacidade para processar duas toneladas de camarão por dia e de executar o filetamento de até 800 kg de peixe por dia, com possibilidade de ampliação de acordo com a demanda.

Experiência em Petrolina

Em Petrolina, sertão pernambucano, região do Submédio São Francisco, a Codevasf, por meio do seu Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro, registrou este ano resultados animadores com uma experiência de aclimatação e produção em viveiro do camarão marinho Litopenaeus vannamei. Cerca de 100 kg de camarões foram recolhidos na primeira despesca, realizada em instalações da Embrapa Semiárido, na zona rural de Petrolina. Os camarões despescados pela Codevasf pesavam cada um entre 12 e 14 gramas, que é o exigido pelo mercado.

Os estudos para produção de camarão no Submédio São Francisco tiveram início em 2012 e os primeiros testes de aclimatação ocorreram em 2013, com água do rio São Francisco e larvas oriundas do Ceará e do Rio Grande do Norte.

De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), a técnica de cultivo e produção do camarão marinho Litopenaeus vannamei, que é originário do Oceano Pacífico, em águas oligohalinas da região Nordeste possui uma tecnologia que está disseminada em vários estados, inclusive já apresentando elementos técnicos e econômicos suficientemente sólidos para assegurar que essa atividade se constitui numa viável oportunidade para a geração de renda, empregos e negócios nos mais longínquos rincões do semiárido brasileiro.

A Codevasf estuda estender a experiência de criação de camarão marinho em viveiros de água doce para outras unidades geridas pela Companhia nas bacias hidrográficas em que atua.

Fonte: ASN – http://www.infonet.com.br/economia/ler.asp?id=171672